La Muralha:

Ao longo dos séculos aquelas construções têm sido danificadas pela acção dos agentes meteóricos, por fortes terramotos, mas também pela negligência humana, demolindo importantes sectores, tendo em vista o alargamento ou a construção de acessos, como a edificação de espaços públicos ou privados.
Entre as principais obras que conduziram à destruição de significativos troços das muralhas da medina da antiga Xelb, contam-se as processadas no século XIX, designadamente aquando da abertura ou alargamento da rua do Castelo, responsável pela destruição dos restos da porta voltada a nascente, ou do Sol, momento em que se encontrou a notabilíssima lápide que assinalava a edificação almoada daquele dispositivo defensivo.
Parte dos banhos públicos, que o texto do Livro do Almoxarifado ali situa e que se encontravam adossados ao interior daquele sector da muralha foram, também, demolidos tendo a parte conservada sofrido profundas alterações (Domingues, Leal e Moreno, 1984). Na mesma altura foi derrubado outro sector da muralha da medina, na extremidade sul da zona voltada a poente, perto do ponto onde aquela inflecte para nascente e onde, segundo a tradição oral, parece ter existido porta cuja cronologia não nos foi possível precisar. Ali passa hoje a rua Bernardo Marques e a porta referida encontra-se representada em vista de Silves, publicada por J. B. da Silva Lopes, de 1844. Ainda nos finais do século dezanove terá sido parcialmente demolida a torre albarrã situada a nascente da Porta da Medina, hoje junto ao Museu Municipal de Arqueologia e completamente restaurada.
Já na centúria passada foram arrasados os restos da torre poligonal que defendia a denominada Porta da Azóia, situada no topo norte do sector poente das muralhas da medina e fazendo parte da couraça. Apesar das perdas assinaladas, nos últimos 20 anos foi não só possível obstar a diversos atentados contra tão significativos testemunhos do nosso património histórico-militar, como se procedeu, pontualmente, à conservação e restauro de alguns sectores das muralhas da medina, por vezes seguindo critérios diversos e nem sempre com o mesmo êxito.
Aquando do restauro das muralhas e torres do Castelo foi também intervencionado sector, voltado a norte, com 60 m de extensão das muralhas da medina.
Nos anos oitenta da passada centúria, consolidaram-se algumas torres, de pedra e taipa, daquele mesmo sector assim como do lado poente, sob responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

A torre albarrã, localizada junto ao Museu Municipal de Arqueologia, foi restaurada numa primeira fase nos anos oitenta e outra na seguinte década tendo-se, ainda na mesma altura, recuperado o sector da muralha anexa, sob responsabilidade do Arqt. Mário Varela Gomes. Parece-nos importante referir que outros critérios bem diferentes dos actuais conduziram a que durante a Idade Média, possivelmente no reinado de D. João I, tenha sido restaurada e adaptada, de modo a albergar a administração municipal, a grande torre albarrã que defendia a Porta da Medina, assim como parte da muralha a ela anexa.
Ali se encontram diversas pedras sigladas, com marcas idênticas a outras detectadas no Castelo e na Sé, claramente pertencentes a campanhas de obras do Período Medieval Português, quiçá de D. João I. De facto, carta daquele rei, datada de 28 de Julho de 1404, dirigida a Gil Martins, seu corregedor no Reino do Algarve, refere tais obras do seguinte modo: “de beer E mandar em obras dos muros e torres e em a barreira dessa çidade” (Iria, 1990, p. 16).
Importa, ainda, mencionar que sobre a porta existente na edificação que aproveita a torre da Porta da Medina se encontra pedra de armas, da 2.a Dinastia mas anterior ao reinado de D. Afonso V. A medina ocupava área com forma subtrapezoidal que se estendia nas encostas nascente, sul e poente da elevação actualmente coroada pelo Castelo e desde a sua parte mais alta até meia encosta, entre as cotas com 52 m e 18 m, no sentido norte sul, evidenciando fortíssimo declive, tal como pode ser constatado por quem, ainda hoje, nela se movimenta.
Ela media 300 m de comprimento máximo, no sentido norte-sul, e 320 m de largura, no sentido perpendicular ao referido. Todavia, dada a irregularidade da forma do seu perímetro, ocupava área com cerca de 6,5 ha, sendo cercada por altas muralhas, de pedra e taipa, providas de torres adossadas e albarrãs que passaremos a descrever, a partir da Porta da Medina e no sentido dos ponteiros do relógio.
Gomes. R.V.; 2006, Silves (Xelb) uma cidade do garb Al-Andalus: o núcleo urbano. In Trabalhos de Arqueologia 44; pp. 7 a 9..
Intervenções Realizadas:
DGEMN:
- 1972 - obras de recuperação da torre junto à Câmara Municipal; demolição de um anexo; consolidação de fendas;
- 1973 - reparação de um troço de muralhas junto do edifício da Câmara Municipal; construção de betão armado em lintéis para consolidação dos paramentos de um torreão;
- 1982 - assentamento de silhares de cantaria da região em cunhais de um torreão da zona virada a N.;
- 1984 - demolição dos restos das alvenarias de um prédio que obstruía um troço das muralhas Dr. Francisco Vieira; assentamento de silhares de cantaria da região em cunhais de um torreão; tapamento de rombos e consolidação de panos de muralha;
- 1985 - continuação da consolidação e recuperação do troço da rua Dr. Francisco Vieira e do troço na zona N.;
- 2000 - reconstrução dos cunhais da Torre da Almedina:
- 2002 - reconstrução de dois cunhais da torre e fechamento de juntas.
Metros da muralha: A muralha envolve uma área de 6,5 ha.
Centro Histórico:
Estrutura urbana formada por dois tecidos morfológicos de diferente natureza, a Medina e o Arrabalde / Cerca, correspondente a diversas fases de crescimento. Na zona mais alta da cidade, intra-muros, encontra-se o núcleo mais antigo. Da ocupação romana terá herdado a presença de dois eixos principais sensivelmente perpendiculares, que se cruzam na proximidade da Sé e da entrada da antiga Alcáçova, centro do poder. A formação urbana tem um carácter marcadamente medieval, estruturado em função da Alcáçova / Castelo. O traçado do núcleo fortificado é irregular e desenvolve-se pelas encostas N., O. e S., onde o casario está implantado em ruas íngremes. A malha urbana consolida-se numa rede viária desenvolvida em função da estrutura defensiva. Os eixos fundamentais são os que ligam o Castelo às portas da muralha da Medina, orientadas em linhas estratégicas de relação com o exterior.
O principal acesso ao interior da área amuralhada, é a Porta da Vila, alinhada com a mais importante artéria de Silves, a R. Direita, (actual R. da Sé), dando também acesso à R. da Porta da Vila ( rua que ligava esta porta à Porta da Azóia ), e à rua que ia dar à Judiaria, actual R. da Porta de Loulé ( rua que ligava a Porta da Vila à Porta do Sol ). A Porta da Vila é a única que se conserva das três que davam acesso à Medina. Esta era a mais importante, uma vez que ligava a cidade ao litoral S., pelo seu alinhamento com o caminho para a Ponte sobre o Rio Arade e ao porto fluvial, por onde passavam as rotas comerciais. É na R. Direita que se encontram as edificações de maior prestígio. Séc. O Largo da Sé é a matriz espacial de toda a malha urbana. De forma quadrangular, tem a E. as muralhas e porta de entrada da Alcáçova / Castelo, a S. a Sé e a O. a R. Direita, concentrando os símbolos do poder militar e religioso.

Cronologia.
- Idade do Bronze médio-final - sedentarização e desenvolvimento de comunidades autóctones da região, com base na exploração da riqueza natural local; Séc. 08 a.c. - fortificação do Cerro da Rocha Branca;
- Séc. 05 / 04 a.c. - chegam à região colonos de origem continental de influência céltica, com contributos culturais que provocam profundas alterações sócio-económicas, culturais e políticas;
- 201 a.c. - Shilb (Silves) ocupada por exércitos romanos, com novas alterações sócio-económicas, políticas e culturais, tornando-se um próspero centro comercial;
- séc. 02 - disporia de importante templo, talvez situado na zona mais alta da cidade. Devem datar deste período os indícios estruturação rede viária que, ainda hoje, caracteriza o centro histórico;
- séc. 06 / 07 - datação 1ª linha muralhas, em grande parte na base das edificações posteriores, do período tardo-romano e bizantino-visigótico;
- 713 - conquista de Shilb, que passa a integrar o Califado Omíada de Damasco, pelo exército de Abd al-Aziz, proveniente do Yémen; fortaleza romana existente reforçada com novo pano de muralha, que acolhe cidade que assiste a franco crescimento;
- 1189 - conquista de Silves pelos cruzados cristãos, sob ordens de D. Sancho I. A campanha incluiu o exército português e cruzados do Norte da Europa - alemães, ingleses e flamengos. Segundo a Crónica Anónima de um Cruzado, que participou na tomada de Silves, o rio Arade era então navegável até à cidade, sendo relatado que acostaram mesmo aos pés da muralha, após um cerco de várias semanas. Foi descrita uma cidade com cerca de 15.800 habitantes. Foi o primeiro grande golpe no desenvolvimento da cidade de Silves e na continuidade da cultura árabe.
- 1248 - 1249 - a cidade foi conquistada definitivamente por portugueses cristãos, pelas tropas de Paio Peres Correia. A segunda conquista cristã foi conseguida com a rendição da cidade, pelo que grande parte da população muçulmana pode permanecer intra-muros e manter os seus bens, passando a habitar o bairro da Mouraria incluído na cerca do arrabalde;
- 1266 - foral concebido por D. Afonso III; os banhos de Silves, referidos no foral afonsino como pertença do rei, eram um importante equipamento social muçulmano que foi abandonado pelos cristãos; 1269 - foral dos Mouros Forros de Silves, Loulé e Santa Maria de Faro.
- 1440 - foi feito um apelo ao rei para que se providenciassem meios para a reconstrução da ponte do rio Arade, que se encontrava desmoronada;
- 1458 - a Sé encontrava-se, ainda em ruína, com desabamento parcial, requerendo novamente auxílio régio;
- 1920 - construção do estádio de Silves Futebol Club e a Escola Elementar de Comércio Indústria;
- 1921 - a Associação de Classe da Indústria Corticeira Silvense tinha inscritos mil operários;
- 1948 - inauguração o edifício dos Correios;
- 1950 - tem uma população de 37.512 habitantes;
- 1958 - construção da Barragem do Arade, com incremento da actividade agrária;
- 1961 - inauguração do Cinema;
- 1962 - inauguração da Ponte Nova;
- 1969 - inauguração do Mercado Municipal;
- 1970 -conta com uma população de 23.755 habitantes;
- 1980 / 1990 - várias campanhas arqueológias que incluíram escavações na alcáçova e na Medina. (CMS);
- 1986 - escavações no pátio de uma casa na R. da Porta de Loulé, que no séc. 15 pertenceu a Afonso Vicente Leboreiro;
- 1995, 14 Julho - Aprovação pela Assembleia Municipal do PDM de Silves;
- 1995, 4 Dezembro - Publicada no DR, I Série-B, nº 279 a Ratificação do PDM de Silves por Resolução do Conselho de Ministros nº 161/95;
- 1997 - inauguração do Centro de Estudos Luso-Árabes - CELAS;
- 2004 - Elaboração Carta de Risco do imóvel pela DGEMN
Sobre Silves:
Número de habitantes del Municipio: 35.931
Localización geográfica: Localizado grosso modo no centro do distrito de Faro, o concelho de Silves tem uma área total de 679 Km2, sendo o segundo maior do Algarve. A Norte está limitado pelos concelhos de Odemira e Almodôvar, a Leste por Loulé e Albufeira e a Oeste por Lagoa, Portimão e Monchique, confrontando a Sul com o Atlântico.
Página web: www.cm-silves.pt
Datos de contacto:
> Institución
Maria Isabel Fernandes da Silva Soares
Endereço: Largo do Município, 8300 -117. Silves
Telefone:: 282440800
Telefax: 282440850
Página web: www.cm-silves.pt
Correio electrónico:
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> Contacto institucional
Maria do Rosário Boal Pontes
Cargo: Chefe de Divisão
Instituição: Câmara Municipal de Silves
Endereço: Largo do Município, 8300 -117. Silves
Telefone: 282440800
Telefax: 282440856
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> Contacto técnico
Luís Miguel Guerreiro Cabrita
Cargo: Técnico Superior
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