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Penela

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La Muralha:

A ocupação militar deste outeiro é muito antiga, remontando, pelo menos, ao tempo Romanos, que daqui vigiavam a estrada Mérida

[Emérita Augusta] – Conímbriga – Braga [Brácara Augusta].

Foi invadida pelos Árabes em 716, sendo posteriormente retomada, no séc. XI, pelo Conde D. Sesnando, primeiro governador de Coimbra. O conde mandou erigir no local da alcáçova um forte castelo, que repovoou, nascendo assim um burgo cristão sob a protecção das muralhas ameiadas. Deste povoamento, até ao século XI, subsistem as sepulturas escavadas na rocha de desenho antropomórfico.

O Castelo de Penela é uma fortaleza medieval de planta irregular e recorte sinuoso, alongada no sentido Norte-Sul aproveitando o escarpado natural, pelo que os panos de muralha têm altura que varia entre 7 e 19 metros. Pertencia à linha defensiva do Mondego na época da Reconquista cristã, seguindo-se ao castelo de Montemor-o-Velho em ordem de grandeza. Na cerca de muralhas, que envolvia a vila medieval com suas casas, ruas e igreja, rasgam-se as duas portas existentes. A Porta da Vila ou do Cruzeiro (séc. XIV), de arco gótico, no exterior da qual, em tempo de paz, se começou a estender o arrabalde, e a Porta da Traição (1309) para acesso aos campos. A brecha das desaparecidas constitui hoje a entrada mais franca na fortaleza, aqui se abria a terceira porta, virada a sul, guardada pela torre quinária, e que ligava o arrabalde mais directamente à igreja. Nas zonas mais expostas foram levantadas as torres que permitiam a defesa cruzada das quadrilhas (pano de muralha entre as torres) e das portas. Das doze torres que existiram até ao séc. XVIII subsistem algumas, para além da quinária, com formas arredondadas e quadrangulares

A torre de menagem, hoje desaparecida, datava de 1300 e erguia-se no castelejo, núcleo defensivo primitivo, que foi reedificado no séc. XV-XVI, adquirindo a forma que possui actualmente.

As lutas contra os Mouros e a passagem dos séculos tornou necessária a sucessiva ampliação e restauro do castelo, prolongando a sua (re)construção dos sécs. XI ao XVI por iniciativa de vários reis, designadamente, D. Afonso Henriques, D. Sancho I, D. Dinis e D. Fernando.

A perda da importância defensiva deste castelo levou a que a sua manutenção fosse descurada e que a população começasse a utilizar as pedras noutras construções, ficando a fortaleza cada vez mais danificada. Restaurada nos anos de 1940, as muralhas e as ameias caldas foram refeitas segundo o ainda existente, e desmanteladas as casas entretanto encostadas às muralhas. A torre sineira de construção setecentista foi apeada.

A ocupação desta fortaleza resume-se hoje à igreja e à casa paroquial.

A partir de 1992 e já a cargo do IPPAR – Instituto Português do Património Arquitectónico, procedeu-se à pavimentação dos acessos e da circulação interior do castelo, à limpeza, recuperação e consolidação das muralhas, à beneficiação do caminho de ronda com a colocação de passadiços que permitem o percurso pedonal na quase totalidade do perímetro.

A mais recente obra de recuperação e beneficiação deste espaço, da responsabilidade do IPPAR, foi realizada em 2006. Com ela pretendeu-se reforçar e complementar os trabalhos já executados com a instalação de portões de limitação de acesso e controlo de entradas no castelo, posto de informação, recuperação de parte da residência paroquial adaptando-a para fins culturais [criação do Museu de Arte Sacra], beneficiação da igreja, iluminação monumental do Castelo, introdução de sinalética informativa, recuperação de elementos degradados ou danificados e ainda a pavimentação e arranjo das vias de acesso e circundantes, incluindo a criação de zonas de parqueamento de viaturas. Com os anteriores trabalhos, melhorou-se o acolhimento aos visitantes, proporcionando condições de acessibilidade, complementadas por um melhor aproveitamento do recinto interior daquela antiga fortaleza.

Das inúmeras actividades anualmente desenvolvidas no Castelo de Penela, destacam-se as seguintes:

  • Feira Medieval de Penela, últimos fins-de-semana de Maio;
  • Penelaartes, Festival de Música e Dança de Penela, no mês de Julho;
  • Penela Presépio, nos meses de Dezembro – Janeiro;
  • Concertos e espectáculos pontuais.


EM CONCLUSÃO

Trata-se de uma construção de Arquitectura militar românica, gótica, manuelina, com uma estrutura autónoma de paredes autoportantes em pedra.
Possui uma planta irregular, com forma poligonal alongada, conservando ainda oito das doze torres que compunham a estrutura de muralhas ameadas, já completa no século XIV.
Actualmente com três portas, sendo uma delas resultado da demolição de uma torre existente no lado Sul:

  • A Porta da Vila – A Sudoeste, com arco partido e ombreiras cortadas, aberta na face de uma torre;
  • A Porta da Traição ou dos Campos - a Nordeste, rasgada numa torre, com 2 aberturas dispostas em cotovelo;
  • A Porta da “Brecha das Desaparecidas” do lado Sul e que é hoje o principal acesso ao Castelo

Da torre de menagem subsistem apenas uma porta de arco gótico e 2 bombardeiras. É ainda visível o castelejo, evolução estrutural da Torre de Menagem, integrado nos panos de muralha.

A partir dos anos 40 do século XX, tem vindo a ser alvo de inúmeras intervenções de restauro.
Dentro da muralha encontram-se a Igreja de São Miguel e a Casa Paroquial, sendo estas construções juntamente com um quintal, propriedade da Igreja.

CRONOLOGIA

  • 1087    D. Sesnando diz no seu testamento que povoou o castelo;
  • 1137    Foral por D. Afonso Henriques que terá reedificado o castelo,
  • Séc. XIII / XIV    D. Sancho 1 e D. Dinis mandaram-no restaurar, resulta destas campanhas de obras a abertura da Porta da traição;
  • 1315    Donatária da vila D. Isabel, neta de D. Afonso III;
  • Séc. XV    D. Pedro, Duque de Coimbra, foi seu donatário e mandou edificar dentro da cerca a Igreja de São Miguel e um Paço; reedificação do castelejo;
  • 1465    D. Afonso Vasconcelos e Meneses criado Conde de Penela; a posse da vila passou ulteriormente para a Casa de Aveiro;
  • Séc. XVI    Foral novo por D. Manuel;
  • 1514    Início provável de obras e consolidação;
  • 1755    Terramoto destrói torre do relógio;
  • 1760    Demolida a 3ª porta do castelo para reaproveitamento da pedra para construção da torre do relógio;
  • Séc. XVIII    Com a extinção por D. José da Casa de Aveiro o Castelo deixa de estar na sua posse
  • 1910    Protecção – MN, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910,
  • 1941    Consolidação das muralhas e reconstrução as ameias segundo o existente;
  • 1943 – 1944    Continuação das obras;
  • 1945    Demolidas paredes argamassadas e reconstruídas com alvenaria e argamassa hidráulica;
  • 1958    Consolidação de fundações; reconstrução de adarves; remate do torreão e das muralhas, limpeza das cisternas, arranjo junto à porta de acesso; apeamento da torre do relógio no paramento S. da muralha seguida de integração do relógio na torre da igreja de São Miguel;
  • 1958    Criação da Zona Especial de Protecção – ZEP, DG 208 de 05 Setembro 1958
  • 1998    Recuperação de muros e acessos;
  • 2005 – 2006    Obras de Reabilitação / Requalificação – criação de novos equipamentos e geração de novas potencialidades

 

Centro Histórico:

A organização do território na Vila de Penela estrutura-se a partir de uma posição claramente defensiva: o castelo ocupa um cabeço no alto de monte e é a partir deste ponto que todo o aglomerado se estende pela encosta que possui menor pendente, maior extensão e melhor exposição solar – voltada a Poente.

A malha urbana é apertada.

Os arruamentos são estreitos e desenvolvem-se, na sua maioria, agarrados às curvas de nível, sendo pontualmente atravessados por percursos de pendentes acentuadas ou escadas e interrompidos por largos ou praças; verticalmente são o resultado de frentes de construção contínuas geradas por edifícios de 1, 2 ou 3 pisos e/ou pelos muros de suporte que sustentam os terrenos dos logradouros.

As praças são espaços perfeitamente regulares e delimitados e são o resultado da estrutura viária, do desenho dos edifícios (implantação e volumetria) e do próprio relevo.

Os largos resultam do cruzamento entre ruas e, em algumas situações, são o resultado de demolições de conjuntos de edifícios.

Todo o conjunto urbano é pontuado por edifícios excepção que contribuem para a organização do tecido urbano e que constituem pontos de referência na sua organização (ex. – o Castelo, a Igreja de Santa Eufémia).

Os quarteirões são compostos por construções maioritariamente de dois pisos, com áreas reduzidas e muitas vezes sem logradouro – atendendo à morfologia do terreno, muitos dos edifícios fazem frente para mais do que um arruamento ou então encostam as traseiras.

O património edificado é diversificado, havendo, para além das construções que conferem homogeneidade à vila, alguns exemplos de qualidade cuja existência importa salientar:

Construções classificadas existentes:

  • Castelo
  • Igreja de Sta. Eufémia
  • Capela de Sto. António do Convento
  • Pelourinho

O aglomerado compõe-se, assim, por arruamentos, praças e edifícios que se apresentam ora abandonados, ora degradados, desvirtuados, subvertidos ou requalificados.

 

Sobre Penela:

Número de habitantes del Municipio: 6.500

Localización geográfica: Região Centro, Distrito de Coimbra, Concelho de Penela

 

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