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Almeida

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Fortificaçao de Almeida

De acordo com os desenhos de Duarte de Armas (início do século XVI), e após uma leitura atenta no terreno, verifica-se que as actuais ruínas do Castelo de Almeida,

consequência da explosão de 26 de Agosto de 1810 (III Invasão francesa), facultam a leitura de uma planta quadrangular irregular, cercada de um fosso lajeado com contra escarpa revestida a cantaria, apresentando nos ângulos as fundações de quatro torres de planta circular.

A primeira cintura de muralhas incorporava a torre de menagem, adossada pelo exterior no ângulo noroeste, também de planta quadrada, provida de balcões com mata-cães e com acesso superior ao nível do adarve. Integrava ainda um torreão circular, no ângulo sudeste e dois torreões de planta quadrangular sudoeste e nordeste. Atendendo à posição excêntrica da torre de menagem bem como às suas características arquitectónicas semelhantes ao torreão nordeste, é plausível que seja datável da campanha de obras de D. Dinis.

Muralha Dionisina ou Fernandina

Em intervenções no edificado particular do Centro Histórico foram registados alguns apontamentos que podem indiciar a existência de uma muralha medieval. O estudo comparativo das referidas siglas medievais aponta cronologicamente para o século XIII / XIV.

Função estratégica: Defender uma das mais importantes entradas naturais em território nacional.

Localização: Beira alta, Distrito da Guarda. A Praça-Forte localiza-se numa posição fronteira à cidade espanhola de Ciudad Rodrigo e ao Fuerte de la Concepcion de Aldea del Obispo.

Altitude: A altitude média do concelho oscila entre os 750m e os 800m, Almeida está à cota de 760m. A cota mais alta é a de 762 metros – o local escolhido para a implantação da Torre do relógio. O espaço urbano circundado pela muralha abaluartada desce à cota 739,1 metros junto à entrada das casamatas do baluarte de S. João de Deus (PCRCHA – 2002.

População

Concelho de Almeida: 8423, censos 2001
Vila de Almeida: 1491, censos 2001
Intra-muralhas: 335 residentes que ocupavam aproximadamente 149 edifícios habitacionais, Plano de pormenor e salvaguarda, GTL 2001

Datação das fortificações: do séc. XII ao séc. XIX.

Constituição geral

Fortificações
a) Fortificações medievais e de transição: ruínas do Castelo Medieval e Manuelino e vestígios de panos de muralha do séc. XIII/ XIV e inícios do século XVI.
b) Fortificação abaluartada:
Fortaleza com planta em forma de hexágono, quase regular, constituída por seis baluartes, formando uma estrela: de São Francisco, de São Pedro, de Santo António, de Nossa Senhora das Botas ou do Trem, de Santa Bárbara e de São João de Deus, com plataformas lajeadas e ligados entre si pelas cortinas, e respectivos revelins: da Cruz, dos Amores, da Brecha, de Santo António, do Paiol e Doble.

Comunica com o exterior através de duas portas duplas denominadas de São Francisco ou da Cruz e de Santo António. As muralhas possuem paramentos de cantaria, à excepção dos parapeitos, sendo circundadas por fossos e estradas cobertas, e os baluartes contornados por uma estrada de fuzilaria (caminho da ronda).

O Baluarte de São Francisco é composto por dezoito canhoneiras, existindo, também, no saliente, uma plataforma externa para tiros de barbete e peças de grande calibre. No subsolo existe um paiol de bateria composto por dois pequenos compartimentos abobadados, de planta rectangular, aos quais se acede através de uma longa escada desenvolvida no interior do muro de revestimento da gola do baluarte.

O Baluarte de São Pedro é composto por dez canhoneiras e o paiol da bateria é composto por dois compartimentos abobadados, de planta rectangular, sendo a serventia efectuada pelo exterior do muro de suporte da gola do baluarte, através de porta rectilínea.

O Baluarte de Santo António é composto por dez canhoneiras e um paiol de bateria, actualmente soterrado.

O Baluarte de Nossa Senhora das Brotas, ou do Trem, é composto por treze canhoneiras, existindo ao centro do terrapleno o antigo edifício do Trem de Artilharia, mais conhecido por Picadeiro, constituído por dois grandes recintos de plantas rectangular e pentagonal, divididos por sequência de pilares, apresentando porta de verga recta, a S. e outra a O. com o mesmo perfil, ostentando as armas reais e frontão angular.

O Baluarte de Santa Bárbara é composto por vinte e três canhoneiras, tendo havido um paiol com três compartimentos e, no extremo da gola, os vestígios da antiga Capela que o denomina.

O Baluarte de São João de Deus possui vinte e oito canhoneiras, onde existem as Casamatas, compartimentos à prova de bomba organizadas em torno de um pátio rectangular, a que se chega por uma galeria coberta, e que compreendem vinte salas de planta rectangular, cobertas com abóbadas de berço.

O Revelim Doble forma um reduto de configuração triangular, quase um duplo Revelim, com o qual se comunicava através de uma ponte levadiça entre o fosso do Revelim e o reduto, conservando duas portas a O. e a S.

O Revelim do Paiol integra dois edifícios recuperados, de planta rectangular, com vãos de verga recta.
Existem ainda três poternas na fortificação, que fazem a ligação entre a praça e os fossos, ladeadas de pequenos paióis. Uma delas, situada à face E. do Baluarte de São João de Deus, é a denominada "porta falsa" e tem, no lintel, a data de 1797. A segunda poterna, abobadada, situa-se a meio do muro do revestimento da gola do Baluarte de São Francisco e a terceira, também com o mesmo tipo de construção, fica no extremo da cortina do Baluarte de S. Pedro.

Relação de edifícios de função militar e estruturas logísticas:

Quartel das Esquadras:

Séc. XVIII (1736-1750)
Autoria do Projecto: Manuel de Azevedo Fortes e José Fernandes Pinto de Alpoim

Edifício de dois pisos, planta rectangular alongada, cobertura de quatro águas pontuada na cumeeira por sucessão ritmada de chaminés tronco-piramidais. A construção é composta por dois volumes justapostos e escalonados definindo alçados muito compridos e ritmados sendo o interior constituído por vinte e um módulos transversais, subdivididos em duas casetas destinadas a soldados de Infantaria. Apesar das características barrocas, o edifício é marcado pelas formas disciplinadas, concebido de forma ordenadamente militar e simultaneamente atraente, sendo de excelente execução e de impacto visual excepcional. Localiza-se na proximidade da entrada de S. Francisco.

Corpo da Guarda Principal

Século XVIII (1790)
Autoria: Anastácio de Sousa e Miranda (Miguel Luís Jacob)

A construção do edifício iniciou-se em 1791 e ergue-se no local dos antigos alpendres do mercado. Constitui um belo exemplar de edifício militar construído de raiz, podendo considerar-se o mais emblemático da Praça de Guerra, e um dos mais monumentais dos seus Corpos da Guarda. Caracterizado pela severidade do traçado, apresenta uma fachada marcada pelo átrio de tripla arcada seccionada por pilastras de ordem toscana e aparelho almofadado que sustentam simultaneamente um frontão, centralizado pelo escudo de decoração bélica. O interior do edifício é marcado axialmente por um pequeno corredor que fazia a ligação do átrio à caserna e aos dois compartimentos laterais, talvez destinados aos oficiais. Actualmente serve de instalações à Câmara Municipal de Almeida, e localiza-se na actual Praça da Liberdade.

Antigo Convento de Nossa Sª do Loreto

(séc. XVI), adaptação a Quartel e Hospital Militar (séc. XVIII)
Autoria: Miguel Luís Jacob

O convento de Freiras Terceiras Regulares de S. Francisco, dedicado a Nossa Sra. do Loreto, data do início do século XVI. Apresentava planta em U, desenvolvendo-se em torno de um claustro quadrangular. A igreja e o coro-alto ocupavam a ala Norte, a Sul situava-se o refeitório e as casas de mantimentos. No quadrante Sul/Este situavam-se as celas e as casas da roda. Da construção conventual o que se conserva hoje corresponde apenas aos alçados Este e Sul, onde se localizavam as celas das freiras e o refeitório, portanto o espaço onde se instalou o Hospital Militar, (adaptação feita já no século XVIII), sendo que as restantes dependências conventuais ficaram destinadas ao quartel de infantaria, quartel esse arrasado com a explosão de 1810. O que restou do antigo convento mostra uma planta em L, que correspondente à Igreja (actual Igreja Matriz) denominada de N. Srª. das Candeias muito descaracterizada já com remodelações oitocentistas, como é o caso do portal que actualmente faz a serventia principal. O templo é de uma só nave, com capela-mor demarcada por um arco triunfal em cantaria. Junto ao arco triunfal rasga-se a capela do Menino Jesus, do qual apenas sobreviveu um portal (mandada construir por Dantas da Cunha em 1699). Sobreviveu ainda outro corpo, onde se abre uma porta carral que fazia a ligação à antiga cerca.

Portas Duplas de S. Francisco ou da Cruz
Autoria: Pierre Garsin

Séc. XVII
Implantadas a meio da cortina, e forçadas a suplantar o fosso e a atravessar o revelim, as portas da fortaleza são duplas. Cada uma delas é aberta em arco pleno, com trânsito curvo, unidas através de uma ponte levadiça que pousava sobre uma ponte dormente fixa de madeira. Lateralmente, as Portas dispõem de uma casa da Guarda, com quarto para o oficial, lareira, aberturas gradeadas para a esplanada ou para o interior da Vila, por vezes com seteiras nos panos murários, e cobertura à prova de bomba. A Porta Magistral é a mais exuberante e monumental, a começar pelo tratamento da cantaria: é de ordem toscana, com colunas a suportar um frontão curvo quebrado pela guarita. As armas ocupam todo o pano entre o arco, as colunas e o entablamento. Foi na Porta Magistral que no século XIX se instalou o Comissariado Inglês.

Portas de Sto António
Autoria: Jerónimo Velho de Azevedo

Estruturalmente semelhantes às de S. Francisco embora mais monumentais e de traça distinta. Apresenta trânsito curvo cobertura à prova de bomba e lateralmente casa da Guarda, lareira, latrinas e pias. A porta magistral era sobradada e lateralmente possuía dois corpos da Guarda destinando-se um aos “soldados que tivessem que cumprir culpas leves”.
Praça Alta
Localiza-se no Baluarte de Sta. Bárbara. O Baluarte é constituído por 23 canhoneiras, com plataforma no ângulo flanqueada para tiros a barbete, Bateria Baixa com plataforma para lançamento de morteiros. Analisando as plantas iconográficas do séc. XVIII, destacavam-se ainda neste Baluarte a capela de Sta. Bárbara e um armazém de pólvora.

Revelim Doble
Século XVIII
Revelim Doble, de influência Vaubaniana, é assim designado por ser uma estrutura dupla, cobre à direita o baluarte de S. João de Deus, e à esquerda o Baluarte de Sta. Bárbara. Do ponto de vista técnico é dos baluartes mais perfeitos por “ tirar das faces dos baluartes que o flanqueia todo o fogo, cobrindo todos os flancos”. Apresenta no terrapleno uma construção abobadada. A ponte levadiça (recriação) fazia a ligação ente o reduto e o cemitério, onde ainda hoje existem algumas lápides.   

Ruínas do Castelo Medieval
Designação: Castelo de Almeida

Descrição: As actuais ruínas do Castelo de Almeida, consequência da explosão de 26 de Agosto de 1810 (III Invasão francesa), permitem a leitura de uma planta quadrangular irregular, cercada de um fosso lajeado com contra escarpa revestida a cantaria, apresentando nos ângulos as fundações de quatro torres de planta circular. Esta estrutura representa um Castelo significativamente diferente do representado no séc. XVI por Duarte Darmas, pois as intervenções a partir de 1695 reconstroem apenas muralha externa e os respectivos cubelos angulares, fosso e armazéns interiores, desactivando o obsoleto Castelo Quinhentista com a sua torre de menagem e cintura interna de muralhas, transformando-o num armazém de munições e pólvora.


Picadeiro D’EL Rey
Cronologia: Séc. XVII como Trem de Artilharia (conjectural)
Séc. XVIII (Reforma de adaptação entre 1766 e 1768 para Fábrica do Pão)
Séc. XX (Adaptação a Picadeiro)

Autor(es): Sargento-mor Engenheiro Miguel Luís Jacob (séc. XVIII – Assento do Pão)

Descrição: Localizado no Baluarte de Nossa Senhora das Brotas, o actual Picadeiro de Almeida sofreu desde a sua construção inúmeras adaptações funcionais. Originalmente serviu de Trem de Artilharia, onde existiam diversas forjas para a manufactura e reparação do equipamento de guerra. Funcionou também como Quartel do Destacamento de Artilharia e Hospital Militar, mas foi a organização do seu espaço e a existência de fornos que influenciou decididamente Miguel Luís Jacob a transformá-lo em Assento ou Fábrica do Pão de Munição. Na segunda metade do séc. XIX caiu em ruína, tendo resistido apenas as seguintes estruturas originais até à intervenção do século XX: o portal coroado com as armas reais, o edifício das manjedouras, o muro circular e as paredes laterais com contrafortes da Fábrica do Pão de Munição, integradas na renovação para Picadeiro.

Casamatas
Cronologia: séc. XVII (1.ª fase)
Séc. XVIII (1797 – 2.ª Fase)

Descrição: Localizadas no interior do Baluarte de S. João de Deus, as Casamatas ou Quartéis Velhos, como também foram denominadas em virtude da carência de casernas para alojamento da infantaria, são vinte salas subterrâneas, com uma largura e altura aproximadas de 4,5 metros e com um comprimento variável máximo de 26 metros. São construídas em abóbada de volta perfeita, a maior parte delas com chaminé de ventilação. As primeiras seis casas comunicam entre si por um corredor, que no passado talvez tenha tido um segundo piso continuo em madeira, e que desagua num pátio onde se abrem as entradas para as restantes 14 casas. A sua funcionalidade esteve ligada a dois vectores essenciais, a paz e a guerra. Em tempo de guerra servia para abrigar a população da Vila e como armazém de víveres. Era inclusive autónoma em termos de abastecimento de água, pois possui cisterna própria. A sua primeira fase construtiva julga-se contemporânea da construção das Muralhas (sec. XVII), a segunda fase nunca chegou a ser concluída na totalidade, finalizando em 1797, data que se encontra gravada no frontispício da entrada.

Vedoria Geral da Beira / Casa dos Governadores da Praça de Almeida
Cronologia: Fins do séc. XVII / Início do XVIII (Vedoria)
Séc. XVIII (1766 – 1768 Adaptação a Casa dos Governadores)
Séc. XIX (Adaptação a Secretaria e Arrecadação Geral do Regimento de Infantaria)
Séc. XX (Reconstrução para Escola Primária e posteriormente a Tribunal de Comarca)
Autor(es): Coronel Engenheiro António Velho de Azevedo (conjectural)
Sargento-mor Engenheiro Miguel Luís Jacob
Descrição: Trata-se tipologicamente de um edifício de arquitectura militar administrativa e residencial, composto por dois pisos, com planta quadrangular e cobertura em telhado de quatro águas. A fachada principal tem composição regular e simétrica, com portal centralizado, ladeado por pilastras toscanas e rematado por entablamento encimado pelas armas reais. Vãos de lintel recto, registando janelas com avental liso no piso térreo e janelas de sacada, com uma proporção próxima do quadrado duplo, no andar nobre. Panos murários delimitados por soco, pilastras, entablamento e platibanda almofadada pontuada por jarrões. A Vedoria era um equipamento militar que assegurava a gestão financeira das Praças de Guerra e a cronologia da sua construção indica ser contemporânea da construção do Hospital Militar de S. João de Deus, construção registada ainda hoje no seu alçado posterior. Daí se conjecturar a atribuição da sua construção a António Velho de Azevedo, autor inequívoco do Hospital. As mudanças de adaptação para Casa dos Governadores por Miguel Luís Jacob não foram significativas, assumindo essencialmente um carácter funcional e representativo, das quais só resistiu a platibanda.

Casa do Marechal de Campo Manuel Leitão de Carvalho / Palácio dos Leitões
Cronologia: Fins do séc. XVII / 1.º Quartel do Séc. XVIII
Descrição: Trata-se tipologicamente de um edifício de arquitectura civil residencial, composto por dois pisos e planta quadrangular. A fachada principal é composta por pano murário único, delimitado por soco, pilastras e entablamento, inscrevendo um friso separador dos registos. Composição regular mostrando duas portas no primeiro piso e duas janelas no piso superior, estas enquadrando a pedra de armas da família, decorada com ornatos barrocos. Vãos de lintel recto, apresentando as janelas avental almofadado. Compartimentação interna quadripartida, desenvolvendo-se a escadaria a partir do átrio. Escadaria de três lanços e degraus com focinho moldurado, encostada à parede mestra, incluindo uma voluta no arranque e dois arcos abatidos sustentados por pilar quadrado. Salienta-se uma curiosidade construtiva no interior deste edifício: a parede interna de uma das lojas do piso térreo integra a fachada recuada de um edifício quinhentista, com portas biseladas e um símbolo de cristão-novo gravado no seu umbral.
Paióis
Descrição:
Estes pequenos compartimentos começaram por ser construções de madeira mas foram substituídos por edifícios de cantaria.
No subsolo do baluarte de S. Francisco existe um paiol de bateria composto por dois pequenos compartimentos abobadados,
No Baluarte de São Pedro existe um paiol da bateria composto por dois compartimentos abobadados, de planta rectangular, sendo a serventia efectuada pelo exterior do muro de suporte da gola do baluarte, através de porta rectilínea.
No Revelim do Paiol existem dois edifícios que desempenharam as funções.
9. Engenheiros e Arquitectos Militares (Escolas Francesa e Portuguesa)
1641 - D. Álvaro de Abranches ordenou a construção da fortaleza, cabendo a direcção das obras a João Saldanha e Sousa. Em 1641 / 1643 o arquitecto David Álvares superintendeu as obras da praça, "administrando os oficiais, pedreiros e mais trabalhadores e assistindo pessoalmente no trabalho das ditas fortificações" (ALVES, p. 64),
1645 - Feitura das Portas de S. Francisco, talvez por Pierre Garsin;
1646 - continuação das obras e redução do recinto a fortificar; direcção das obras por João de Saldanha e Sousa e Pedro Gilles de Saint-Paul, sucedendo-lhe Rodrigo Soares Pantoja.
Durante os séculos XVII e XVIII, as campanhas de obras foram contínuas envolvendo muito directamente Governadores e necessariamente o Engenheiro-mor do reino, Charles Lassart, contando ainda com importantes Engenheiros Militares de renome nacional e internacional, destacando-se Diogo Truel de Cohon (na substituição de Saint-Paul) e Jerónimo e António Velho de Azevedo na direcção das obras da fortificação.
Nas primeiras décadas do século XVIII, após o desastre de 1695, era necessário introduzir alguns reajustamentos na engrenagem da Praça, concluir alguns trabalhos em curso e modernizar aspectos da fortificação cujo supervisionamento esteve a cargo do Engenheiro-mor do reino Manuel de Azevedo Fortes, assistido por outros engenheiros, entre os quais destacamos Pinto de Alpoim. A partir de meados do século XVIII destacamos, Jacques Funck, Alexandre de Chermont, Miguel Luís Jacob e Anastácio de Sousa e Miranda, nos trabalhos da Fortificação.


Dimensões da fortificação abaluartada:

  • - Número de baluartes e revelins: 12.
  • - Perímetro das fortificações, medido pelo parapeito do caminho coberto (o qual existe em praticamente todo o circuito), atinge o comprimento de 3 180 metros.
  • - Medida da corda da magistral dos seis baluartes é de 2 442 metros, o que representa uma relação de pouco mais de dois terços da medida da estrela externa.
  • - Somatório das medidas dos perímetros da magistral com os das cristas dos revelins avançados (2103 metros) atinge a dimensão total de 4 545 metros.
  • - Área urbana medida fora das golas dos baluartes e dos terraplenos das cortinas (correspondendo a um perímetro de 1292 metros) – 11,83 ha.
  • - Área bruta das muralhas, medida pelo perímetro dos 6 baluartes e respectivas cortinas – 19,94 ha.
  • - Superfície dos revelins avançados – 3,90 ha.
  • - Somatório dos espaços muralhados – 23,84 ha.
  • - Área global dos fossos – 9,70 ha., o que equivale a dizer que a muralha da contra-escarpa dos fossos enquadra uma cintura defensiva com uma área de 33, 54 ha.
  • - Área global das fortificações, medida pelo caminho coberto – 37,52 ha.
  • - Área geral, incluindo os glacis, medida até à via circundante da Praça-forte – 63,92 ha., medida pela via de cintura externa (num perímetro de 3272 metros).

Cronologia essencial

  • 1039 - Origem num castro e posterior castelo muçulmano que foi conquistado nesta data por Fernando Magno, de Leão e Castela;
  • 1156 / 1190 - Alternância entre posses leonesa, muçulmana e portuguesa;
  • 1190 - Reconquista portuguesa por Paio Guterres, denominado "Almeidão", e posteriormente alternando de mãos entre leoneses e portugueses;
  • 1297 - Conquista e posse definitiva de Almeida, pelo Tratado de Alcanices, e concessão de foral por D. Dinis que mandou reconstruir e ampliar o castelo e muralhar a vila;
  • 1369 - o castelo é de novo ampliado por D. Fernando;
  • 1372 - D. Henrique II de Castela, casado com D. Isabel, filha de D. Fernando, invade Portugal; é feito um acordo entre D. Henrique e D. Fernando, sendo-lhe concedido Almeida durante três anos;
  • 1383 - durante a crise dinástica o alcaide de Almeida jura fidelidade a D. Beatriz, tomando o partido de Castela;
  • 1386 - D. João I conquista Almeida;
  • 1407 - Almeida passa a pertencer à Coroa, devido a uma troca de terras entre D. João I e o Alcaide do castelo de Almeida;
  • 1422 - no Rol dos Besteiros, é referida a existência de 1704 habitantes;
  • 1453 - Almeida é doada a D. Pedro de Menezes, por D. Afonso V;
  • 1496 - na Inquirição é referida a existência de 1850 habitantes;
  • 1508, 9 Setembro - Carta de D. Manuel para Mateus Fernandes, mestre de obras de Alcobaça, com outro oficial e o corregedor da Comarca de Almeida, irem ao castelo desta vila examinar a muralha, que o rei dera de empreitada a Francisco de Anzilho, mestre de obras biscaínho, pelo preço de 1.550 reais, e avaliarem a obra e os materiais utilizados;
  • 1508, 9 Setembro - mandado de D. Manuel para se pagar a Martim Lourenço, mestre pedreiro, todo o seu jornal durante 28 dias que durou a sua deslocação a Almeida "a ver a obra que aí fez Francisco d'Anzilho";
  • 1510 - Renovação do foral por D. Manuel; os desenhos de Duarte d'Armas registam o castelo;
  • 1517 - Demolição de edifícios na vila para construção de um novo castelo;
  • 1527 - no Numeramento, é referida a existência de 412 habitantes;
  • 1580 / 1640 - ruína progressiva das estruturas defensivas;
  • 1640 - Reparação apressada da fortaleza;
  • 1641 - D. Álvaro de Abranches ordenou a construção da fortaleza, cabendo a direcção das obras a João Saldanha e Sousa;
  • 1641 / 1643 - o arquitecto David Álvares superintendeu as obras da praça, "administrando os oficiais, pedreiros e mais trabalhadores e assistindo pessoalmente no trabalho das ditas fortificações" (ALVES, p. 64), pelo que não recebia soldo, pedindo, nesses anos, a isenção da décima, o que lhe foi concedido;
  • 1645 - Feitura das Portas de S. Francisco, talvez por Pierre Garsin;
  • 1646 - Continuação das obras e redução do recinto a fortificar; direcção das obras por João de Saldanha e Sousa e Pedro Gilles de Saint-Paul, sucedendo-lhe Rodrigo Soares Pantoja;
  • 1657 - Novo incremento das obras;
  • 1658 - Durante a regência de D. Luísa de Gusmão, é mandado construir um hospital, devido ao elevado número de feridos que se encontravam na Cadeia e na Casa da Câmara;
  • 1686 – O Sargento-mor Jerónimo Velho de Azevedo discípulo de Luís Serrão Pimentel, tinha sido autorizado a “(…) pôr escola para ensinar em seis meses do anno, trez na Praça de Almeyda e outros três na de Penamacor”.
  • 1732 – Foi decretada a Instituição de uma Academia Militar em Almeida
  • 1762 - Durante a Guerra dos Sete Anos, o General O'Reylei cerca Almeida; nova campanha de obras na fortaleza;
  • 1776 - A praça entra num período de progressivo abandono;
  • 1807 / 1808 - Invasão de Almeida pelo exército napoleónico;
  • 1810 - Massena impôs cerco a Almeida, havendo uma explosão que destruiu quase toda a povoação e parte da fortaleza;
  • 1812 - Início das obras de recuperação da praça;
  • 1832 / 1834 - Durante as Lutas Liberais, as casamatas são usadas para colocar presos políticos;
  • 1844 - Revolta de Torres Novas liderada pelo Conde de Bonfim, que retirou para Almeida;
  • 1853 - Início das obras de reparação da fortaleza;
  • 1927 - A fortaleza deixa de ter funções militares;

 

Relação de eventos bélicos

BATALHAS NO CONCELHO DE ALMEIDA
Período Medieval

  • 1372 – Conquista de Almeida pelos Castelhanos (Henrique II de Castela contra D. Fernando de Portugal)
  • 1381 - Conquista de Almeida pelos Castelhanos (D. João I de Castela contra D. Fernando de Portugal)
  • 1386 – Reconquista de Almeida aos Castelhanos por D. João I de Portugal

Guerras da Restauração
A partir de 1663, viveu Portugal as horas mais dramáticas das Guerras da Restauração. Sob a chefia de D. João de Áustria no Sul e do Duque de Ossuna no Norte, foi formado um enorme exército espanhol, iniciando-se assim a segunda grande campanha militar espanhola.

A região de Riba Côa passou a ser o grande palco deste dramático conflito, sofrendo constantes razias e pilhagens sobre as suas aldeias, habitantes e campos de cultivo. A vila de Almeida vai desempenhar então um papel notável e decisivo para o triunfo da tese da restauração, pois no dia 2 de Julho de 1663 irá fazer frente, com grande bravura e apesar da inferioridade numérica, aos exércitos comandados pelo Duque de Ossuna. Mais uma vez o espírito que os animou foi sem dúvida a ideia de que defendiam a pátria, e por isso derrotaram de forma esmagadora os seus oponentes.

Guerra dos Sete Anos
No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763), Portugal era aliado de Inglaterra e assim sendo, a 15 de Julho de 1762 a Espanha declara guerra a Portugal, desta forma as tropas inimigas incendeiam S. Pedro do Rio Seco, Vale da Mula, Vale de Coelha e Malpartida e saqueiam Nave de Haver, Junça e Naves.
Posteriormente o exército Espanhol chefiado pelo Conde de O’Reiyli cercou e fez capitular a Praça de Almeida, tomando de seguida Castelo Bom, só em 1763 quando a paz foi assinada, Almeida foi restituída.

Guerras Peninsulares
Com a III Invasão Francesa devem mencionar-se 3 Batalhas:

  • - 24 de Julho de 1810 – Batalha do Côa entre as tropas comandadas por o Brigadeiro General Robert Crawford e o 6º Corpo do exército francês comandado pelo Marechal Ney.
  • - 26 de Agosto de 1810 – Cerco e Capitulação de Almeida.
  • - 1811 – Batalha de Fuentes de Oñoro ou de Vilar Formoso, no sitio do Chão dos Mortos e Alto dos Ataques (Batalha ganha pelas tropas Anglo-Lusas sobre o exército francês de Massena)
  • Guerras Liberais
  • - 1827 – A Praça de Almeida manteve-se fiel a D. Pedro V, tendo sido cercada pelas tropas Absolutistas que acabaram por a conquistar.
  • Outras Batalhas
  • - 1834 – D. Carlos de Bourbon, irmão de Fernando VII de Castela, pretendente ao trono espanhol refugiou-se em Almeida. A Praça sofreu novo cerco.
  • - Em 1844, aquando da Revolta de Torres Novas contra o Ministério de Cabral, os revoltosos, chefiados por José Estêvão, retiram para Almeida, sofrendo esta um novo cerco.

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