La Muralha:

O Castelo de Vila Nova de Cerveira é composto por um pano de muralha, de forma oval, intercalado por 8 torres de forma quadrangular, sendo que a voltada a Nascente, localizada junto à porta de acesso assumia a função e torre de menagem.
Metros de muralla: 520 metros de perímetro
D. Dinis mandou-o construir em 1319, sobre um pequeno morro sobranceiro às margens do Rio Minho. Para além da porta principal dotou-o de uma porta da traição, na zona voltada ao rio. Em termos arquitectónicos encontra-se na transição do estilo românico para o gótico, e a meio caminho entre um castelo e uma cerca defensiva. Originalmente albergava no seu interior algumas construção, como a casa da câmara, a casa do alcaide, a cisterna e a cadeia, para além de algumas habitações, mas parte do burgo e a igreja paroquial localizavam-se já no seu exterior.
Tem intervenções posteriores, datáveis ainda da Idade Média e, atribuíveis a D. Fernando, D. João I e D. Manuel. Estas intervenções dotaram-no de barbacãs, uma de porta e uma outra que envolvia a totalidade do perímetro. D. Manuel terá sido o responsável pela introdução de canhoeiras nos paramentos.
No entanto, as reformas mais profundas da estrutura fortificada surgem em meados do séc. XVII com as Guerras da Restauração. A zona voltada ao rio é totalmente reformulada, sendo construído um baluarte, com a sua característica muralha inclinada. As torres seriam rebaixadas e adaptadas para a colocação de peças de artilharia. O castelo transformava-se na cidadela de uma fortaleza abaluartada, mais ampla e que albergava a totalidade da urbe, de que actualmente se conserva o Baluarte de Santa Cruz.

Seguramente terá tido intervenções posteriores, principalmente na sequência dos confrontos resultantes da 2ª invasão francesa, embora seja difícil actualmente indicar exactamente quais. Identificável é o desmonte parcial da torre de menagem, até metade da sua altura em 1849.
Nos anos 70 do século passado, o Castelo e o núcleo intra-muros, sofreriam amplas obras de restauro e adaptação com vista à instalação de um equipamento hoteleiro. A excepção a esta adaptação é a Igreja da Misericórdia construída no séc. XIX, bem como a Capela da Senhora da Ajuda, construída em 1650, sobre a porta do Castelo, que mantêm ainda hoje a sua função de culto.
El Casco Histórico:
O Centro Histórico de Vila Nova de Cerveira tem as suas origens na Idade Média. A construção do Castelo pela mão de El Rei D. Dinis gerou um ímpeto construtivo tanto na zona intramuros, como na zona imediatamente envolvente, confinante com a Igreja Matriz e com a estrada que ligava a Vila de Cerveira a Valença, para Norte, e a Caminha, para Sul. Em torno destes três eixos foi-se, durante os 3 séculos seguintes, desenvolvendo um núcleo habitacional coeso e compacto, caracterizado por habitações de fachada confinante com a rua, que nas suas origens teriam em alguns casos um único piso, mas a que as reformulações dos séc. XVIII e XIX acrescentariam um segundo andar.
Assim chegou aos nosso dias um casco urbano, de raiz medievica, que se desenvolveu em redor do castelo e do largo principal, o Terreiro, mesmo às portas do castelo, e onde se localiza a Igreja Matriz, seguindo os principais eixos viários.

Os edifícios representam estilos arquitectónicos diversos, passando pelo manuelino, o barroco e o neoclássico, conforme as épocas em que foram sendo construídos ou reformulados. Particular destaque, merecem a Fonte da Vila, o Solar dos Castros, a Casa Verde, sem esquecer as já referidas Igreja Matriz e Capela da Senhora da Ajuda.
A zona intramuros apresenta uma configuração urbana distinta, em que se destaca a regularidade do traçado urbano, revelando o planeamento da construção dos seus quarteirões, um dos aspectos inovadores da intervenção dionisina.
Hoje em dia, quase todo o centro histórico e seus imóveis se encontram recuperados, intervenções que têm vindo a ser realizados na sequência das propostas e estudos decorrentes da elaboração do Plano de Pormenor de Salvaguarda do Centros Histórico de Vila Nova de Cerveira.
Anualmente, nos finais do mês de Agosto procura-se sensibilizar a população e os visitantes para a preservação do património edificado e da memória histórica que lhe está associada, com a realização da Festa da História, dois dias em que Vila Nova de Cerveira recua no tempo e volta à Idade Média
Sobre Vila Nova du Cerveira:
Número de habitantes del Municipio: 11.000 habitantes
Localización Geográfica:
Vila Nova de Cerveira situa-se no Noroeste peninsular, Distrito de Viana do Castelo, na margem esquerda do rio Minho confinando a Norte com o Concelho de Valença, a Este com o de Paredes de Coura e de Ponte de Lima, a Sul com o Concelho de Caminha e a Oeste com o rio Minho e a vizinha Galiza.
Otrios datos de reevancia:
A presença humana no território hoje correspondente ao Concelho de Vila Nova de Cerveira, remonta à pré-história. Entre os vários elementos detectados, merece destaque o tesouro da sepultura da Quinta de Água Branca, cujo espólio está integrado no Museu Nacional de Arqueologia. A grande expansão demográfica que está na base do povoamento actual deu-se durante o Câmbio de Era com a multiplicação do número de castros, já sob uma forte influência da romanização. O melhor exemplo deste movimento pode ser encontrado no Aro Arqueológico de Lovelhe, cuja ocupação se estende desde o séc. I A.C. ao séc. VII D.C. No entanto, o Concelho de Vila Nova de Cerveira só começaria a ganhar expressão territorial aquando do processo de reconquista, após as invasões árabes, o que viria a ser enfatizado pela autonomização do Condado Portucalense, em 1096.
É neste período que o Rio Minho assume definitivamente o seu papel de fronteira, forçando ao estabelecimento de pontos fortificados que balizassem e defendessem o curso do rio. Surgia assim as Terras de Cerveira, cujo castelo, localizado no sítio onde hoje podemos encontrar a escultura do cervo do mestre José Rodrigues, tinha por missão patrulhar e defender, fosse contra as investidas árabes, fosse contra as normandas, ou mais vulgarmente contra a vizinha Galiza. Em 1297, D. Dinis e D. Fernando IV de Castela assinavam o Tratado de Alcanices, pondo fim aos confrontos que tinham ocorrido nos dois anos anteriores. Este tratado mais do que um acordo de paz, delineou a fronteira entre os dois reinos, que desde então conheceria alguma estabilidade geográfica e política. Esta assinatura faria com que fosse novamente necessário fortificar a fronteira do Minho. A partir deste momento iríamos assistir a um renovado esforço de repovoamento da região.

Assim surgia a “Vila Nova” de Cerveira com a atribuição da Carta de Foral por D. Dinis, corria o ano de 1321, e a construção de um novo castelo, destinado a proteger a vila em desenvolvimento. O séc. XVII e as Guerras da Restauração marcariam a história deste Concelho e o seu património histórico, ao ser construída uma fortaleza que envolveu a vila, apoiada por dois outros pontos fortificados, a Atalaia do Alto do Lourido, e o Forte de Lovelhe, mandados edificar pelo Governador das Armas do Minho, pressionado pela necessidade de defesa da fronteira. Este novo movimento de construção consistiu basicamente numa reformulação e alargamento da fortificação medieval, à qual foi aplicada uma plataforma voltada ao rio vocacionada para bater a vizinha fortaleza de Goian.
O alargamento das muralhas envolveria o burgo, que desde sempre extravasara o perímetro do Castelo A vila, assim circundada, consolidou o seu edificado mediante os principais eixos viários, a Rua Queirós Ribeiro fechada pela Porta de Valença, a Rua César Maldonado e Costa Brava, com a Porta de Viana, a Travessa da Matriz com a Porta de Traz da Igreja e a Porta do Cais fechando a vila ao rio. O Forte de Lovelhe, especificamente construído e preparado para resistir às tentativas de união ibérica, acabaria por prestar outros relevantes serviços ao País, em especial nas Invasões Francesas. Se no decurso das Guerras da Restauração a sua presença foi determinante na dissuasão das hostes filipinas, nesta última acção foi tanto mais importante, ao impedir as tropas francesas, sob o comando de Soult, de efectuarem a pretendida travessia do Rio Minho, no dia 13 de Fevereiro de 1809.
O séc. XIX iniciou-se com momentos de agitação e destruição, mas que findariam por trazer a estabilização da fronteira e a paz a estas terras. O seu castelo e fortalezas, de elementos defensivos transformaram-se em património histórico, que importa conservar enquanto símbolos portadores da identidade do Concelho e das suas Gentes. O mesmo se poderá dizer das suas igrejas e demais património histórico, cultural e etnográfico, cujo conhecimento permite compreender, hoje, o que é ser “cerveirense”.
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