La Muralha:

Em finais do século XII a povoação primitiva detinha um primeiro núcleo fortificado, muito pequeno.
Dele resta a chamada Torre Velha, que constituía a Torre de Menagem de um primitivo castelo românico quase todo posteriormente absorvido quer na malha urbana, quer na futura rede de muralhas construídas na época de D. Dinis.
A partir da segunda metade do século XIII o núcleo fortificado do castelo e da alcáçova deslocalizam-se, passando para o ponto mais alto e mais desabrido da cidade. Deste complexo militar e residencial resta apenas a Torre de Menagem, implantada a 1056 metros de altitude.
Enfim, a Torre de Menagem, actualmente isolada no morro desabrido e escavado que domina a cidade, encontrava-se integrada numa estrutura residencial-militar, a Alcáçova, complexo arquitectónico ocupado pelo alcaide-mor e os seus agentes, por funcionários de tutela régia e pela guarnição militar. A Torre, que desempenhava um papel activo na estrutura defensiva, tinha planta pentagonal irregular. Assente directamente sobre o afloramento rochoso, mantém ainda hoje a sua abertura original na fachada virada a Norte, ao nível do segundo piso.
Da Alcáçova partiam as muralhas que rodeavam toda cidade e que alcançavam, no seu extremo Norte, a Torre Velha. Circundando a extensa plataforma do casco antigo da Guarda, a espessa linha de muralhas, de traçado irregular, adaptando-se ao terreno, envolve o casario, que ao longo dos tempos foi encostado ao pano de muralha.
Ao longo do seu percurso, em pontos estratégicos, abriam-se portas monumentais, devidamente fortificadas. A Porta dos Ferreiros, franqueando o acesso a arrabaldes localizados a Leste era defendida por uma altíssima torre de vigia, de planta quadrangular adossada ao exterior de muralha, proporcionando uma entrada “em cotovelo”. Sobrevivem ainda as Portas da Erva que davam acesso a arrabaldes localizados também a Leste e as Portas de El-Rei, rasgada no pano de muralhas virado a Oeste, de arco quebrado, assente em imposta saliente.

Numa fase posterior, nos finais da Idade Média, foi edificada uma barbacã de porta ou barbacã parcial, junto à Porta da Erva, estrutura defensiva paralela ao pano de muralha, com 30m de comprimento e uma altura máxima de 3.10m.
Apesar de diversas reconstruções dos panos de muralha ao longo dos séculos, foi na segunda metade do século XX que se desenvolveram extensos trabalhos de restauro, salienta-se os trabalhos na Torre de Menagem, na Torre dos Ferreiros e panos de muralha adjacentes.
Centro Histórico:
O castelo da Guarda ergue-se no cume do último contraforte da Serra da Estrela. Do alto dos seus 1056m de altitude, dele se domina visualmente grande parte do Planalto Beirão. Na Idade Média o castelo proporcionava um centro geoestratégico fundamental no âmbito da defesa das fronteiras do Reino com Castela.
Desde muito cedo que a Civitas de Aguarda terá tido um papel fundamental na organização do território regional, desempenhando o seu velho castelo uma função crucial na defesa daquela fronteira, nomeadamente no período que precedeu o Tratado de Alcanises (12 de Setembro de 1297), que nesta região alargou a linha da raia bem para lá do Rio Côa, que constituía o seu antigo traçado.
Em 1199, a atribuição da Carta de Foral marca uma primeira etapa na história da jovem cidade, imediatamente promovida a cabeça de uma das maiores e mais importantes dioceses do Reino, substituindo a antiquíssima Diocese da Egitânia.
A linha das muralhas abrigava uma típica povoação medieval, com as suas praças, largos, ruas e vielas. Todavia, a partir de finais do século XIV, o início da construção da actual Sé Catedral inaugura uma nova revolução urbana na cidade. A sua muito vasta área de implantação impõe um óbvio rasgamento urbano. A construção, muito lenta, do edifício gótico faz com que este seja terminado em pleno contexto manuelino, embora prossigam algumas intervenções pontuais até 1540.
A escala monumental da Sé da Guarda contrasta com o acanhado das ruas e das praças antigas, bem como com a modéstia e a singeleza vernácula da generalidade dos edifícios circundantes e proporciona outro dos ex-libris da cidade e um dos ícones mais intensos de toda a arquitectura portuguesa de origem medieval.
A Sé polarizava uma densa rede de igrejas e capelas ao serviço das sete paróquias medievais da cidade.

À ilharga da Sé, e também dentro do perímetro amuralhado, a construção do Convento de Santa Clara (de há muito demolido, para dar lugar ao antigo Liceu), impôs uma autêntica cidadela eclesiástica e clerical, em contraponto com a cidade laica e
burguesa que se apertava a Norte, com os seus mercadores, os seus artesãos, gente laboriosa e dinâmica que, em articulação com as gentes do termo do concelho, contribuíam para que a cidade cedo ganhasse um dos seus títulos de nobreza mais prezados o de não ser apenas Fria, Forte, Formosa e Fiel, mas o de ser também Farta.
Entre a cidade eclesiástica e a cidade laboriosa, a Praça Luís de Camões - a antiga Praça Velha – proporciona de há muito o espaço público mais central e mais concorrido. Concentrou secularmente a presença do poder religioso e do poder civil, isto é do poder concelhio, administrativo e judicial, representado na antiga casa da câmara, edifício localizado no lado Nascente da Praça, construído na segunda metade do século XVI.
A casa do concelho estava certamente perto do mercado, bem no centro da povoação, rodeada das habitações e das oficinas dos seus laboriosos artesãos.
Algures bem no miolo do casco urbano, uma rua ou um pequeno bairro reservado e circunscrito abrigava a comunidade judaica, minoritária embora importante, com as suas habitações, a sua sinagoga e outras estruturas de apoio de teor colectivo.
A Guarda medieval é uma cidade muito dinâmica, em constante crescimento e renovação. A Este e Sudeste desenvolvem-se importantes rossios abertos que irão ser futuramente urbanizados e polarizadores de uma contínua expansão urbana, que começa com a implantação do Convento dos Franciscanos, ainda no século XIII.
Os séculos XVII e XVIII assinalam-se por importantes campanhas de obras de natureza residencial e institucional, a começar pelo monumental complexo do Seminário e do Paço Episcopal anexo. Paralelamente surgem solares e casas mais ou menos monumentais, dependentes quer de modelos vernáculos quer de modelos eruditos, maneiristas e barrocos.
Ainda da Época Barroca, merecem referência as igrejas de S. Vicente e da Misericórdia, reconstruídas ao longo do século XVIII, aquela localizada bem no centro da cidade medieval, esta, no importante arrabalde Leste.
Anexa à igreja da Misericórdia da Guarda, reconstruída no século XVIII, está, como por toda a parte, o edifício onde funcionou o antigo hospital da Misericórdia, do qual subsiste a farmácia.
O Século XIX e o Liberalismo vão trazer nova revolução urbana. É então que alguns troços das muralhas são demolidos, sendo a malha urbana medieval rasgada para permitir a abertura de novos arruamentos, como a Rua 31 de Janeiro e a Rua do Comércio.
Sobre Guarda:
Número de habitantes del Municipio: 43 822 (cidade e seu concelho)
Localización Geográfica: Distrito da Guarda – Região Beira Interior Norte - Portugal
Otros datos de relevancia: É a cidade mais alta de Portugal, tendo no seu ponto mais alto 1.056 metros de altitude. É conhecida como a cidade dos 5 Éfes. São eles os de Forte, Farta, Fria, Fiel e Formoso. A explicação destes efes tão adaptados a outras cidades é simples:
- Forte: a torre do castelo, as muralhas e a posição geográfica demonstram a sua força;
- Farta: devido à riqueza do vale do Mondego;
- Fria: a proximidade à Serra da Estrela explica este F;
- Fiel: porque Álvaro Gil Cabral – que foi Alcaide-Mor do Castelo da Guarda e trisavô de Pedro Álvares Cabral – recusou entregar as chaves da cidade ao Rei de Caste-la, durante a crise de 1383-85. Teve ainda fôlego para combater na batalha de Aljubarrota e tomar assento nas Cortes de 1385 onde elegeu o Mestre de Avis (D.João I) como Rei;
- Formosa: pela sua beleza natural
Página web: www.mun-guarda.pt
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